terça-feira, 12 de maio de 2009

Arte x Educação

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1996 a LDB diz que “O ensino da arte constituirá componente curricular obrigatório, nos diversos níveis da educação básica, de forma a promover o desenvolvimento cultural dos alunos” (Lei Nº 9394/96, Art. 26 § 2º). Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), de 1998, deixam bem claro que Arte é DISCIPLINA e, portanto, tem conteúdo específico a ser trabalhado, nas quatro “grandes áreas”: Visuais, Teatro, Dança e Música.

A intenção deste estudo é investigar o ensino da Arte no contexto escolar, dialogar com professores e autores e refletir acerca desta disciplina, considerada tão importante na formação de identidades.

As escolas ensinam Arte, para quê?

Qual a contribuição da Arte ao desenvolvimento de crianças e adolescentes?

A Arte no contexto escolar cada vez mais tem se fortalecido, sua possibilidade de atuação tem se expandido e seu currículo no campo escolar tem construído propostas de trabalho mais profundas que vão além do estágio marginal que, num passado recente, Arte na escola só servia como suporte para as datas comemorativas.

O conceito de Arte e de ensino-aprendizagem da Arte tem-se transformado ao longo do processo histórico. Ontem se preocupava apenas com a apreciação, hoje se envolve com o estranhamento e com a co-autoria das pessoas na interação através da leitura. Saber desvelar o que na Arte está contido, experimentando o ato de ler, decodificar a gramática visual, corporal e sonora, transpô-la para o mundo real e imagético é acima de tudo compreender os signos do mundo presente.

Trata-se da educação do olhar, de uma abertura cultural, uma prática criativa tal como em Matemática, ou em outras disciplinas é necessário uma aprendizagem, pois Arte tem conteúdo próprio e é conhecimento a ser construído incessantemente. Arte se ensina e se aprende e seu espaço na escola é fundamental para a criação do pensamento divergente.

Há que se questionar sobre a possibilidade de seu ensino-aprendizagem no contexto escolar ser um veículo de democracia e liberdade, visto que Arte leva a compreensão de que o mundo não é um objeto estável de conhecimentos, mas encontra-se em contínuo processo de transformação em que é preciso mudar paradigmas e referenciais a cada momento. Logo, conhecer e criar são partes de uma mesma realidade existencial onde a flexibilidade e a ousadia levam o indivíduo a uma experiência de aprendizagem ilimitada. O ensino da Arte se configura como uma ferramenta que propaga valores sociais como criatividade, autoconhecimento, relacionamento interpessoal e liberdade de expressão, .que permite ao indivíduo livre trânsito em um mundo em constante mutação.

Para Elliot Eisner “a Arte nos faz empregar nossas mais sutis formas de percepção e contribui para o desenvolvimento de algumas de nossas mais complexas habilidades cognitivas” (apud BARBOSA, 1997, p. 90). Eisner aponta especialmente para a import6ancia da cognição, habilidade do pensamento bastante difundida na educação da Arte no contexto contemporâneo e para além desse, na pós-modernidade.

A produção de Arte ajuda a criança a pensar inteligentemente sobre a criação de imagens visuais. Ele pode criar imagens que tenham força expressiva, coerência, discernimento e inventividade. A crítica de arte desenvolve sua habilidade para ver, ao invés de simplesmente olhar, as qualidades que constituem o mundo visual. A História da Arte ajuda a criança a entender alguma coisa do tempo e lugar, pelos quais todos os trabalhos artísticos se situam, pois nenhuma forma de arte existe em um vácuo descontextualizado e sim estão envolvidos num tempo histórico cultural, isto é, cada conceito discutido, cada produção realizada, cada obra de arte pensada e cada momento histórico abordado deverão fazer parte do conjunto de ações quotidianas e frente a um pensamento contemporâneo. Pensar a partir do nosso tempo outros tempos é fundamental no exercício temporal, mental, relacional e no diálogo silencioso e expressivo nosso com outros tempos a partir deste tempo, que é onde vivemos e percebemos todas as coisas.

Ott é enfático quando lança o conhecimento em Arte como fundamento básico para a compreensão cultural. e enfatiza que aprender Arte e sobre a Arte é um direito de toda criança, todo jovem e todo adulto, pois o homem, como ser pensante, necessita de criar outras verdades, outros mundo, reais e imagéticos, que só a Arte na sua essência pode propiciar.( apud BARBOSA, 1998, p.111)


A Importância da Cultura Visual na Educação

O arte-educador e pesquisador norte americano Elliot Eisner escreveu que o ensino se torna mais abrangente quando utiliza representações visuais, pois elas permitem a aprendizagem de tudo o que os textos escritos não conseguem revelar.

Com base nisso, um grupo de pesquisadores americanos passou nos anos de 1990, a estudar a ligação da Arte com a Antropologia, Sociologia, Psicologia, Filosofia, Estética e hoje esse campo de estudo ficou conhecido como “Cultura Visual”.

Fernando Hernández hoje é um dos principais pesquisadores do assunto. Ele destaca que estamos imersos numa avalanche de imagens e que é preciso aprender a lê-las e interpretá-las para compreender e dar sentido ao mundo em que vivemos

Ele propõe que as atividades ligadas à Arte na escola passem a ir além de pinturas e esculturas e incorpore a cultura contemporânea que está marcadamente registrada em imagens fotográficas, cinema, televisão e tantas representações visuais que o homem é capaz de produzir. Representações estas responsáveis hoje por boa parte da cultura que nossos alunos trazem para a sala de aula, fonte não só de informação, mas de emoção e de modelos de comportamentos.

É em face dessa cultura midiática e globalizada que a escola deve repensar seus objetivos. Não se trata de apenas adotar pressupostos que norteiam a História da Arte, nem tampouco de integrar a produção artística a condição de conhecimento objetivo como a ciência. Trata-se de reconhecermos que a cultura contemporânea foi invadida pelas linguagens audiovisuais e que, se não conseguirmos nos posicionar frente a elas de forma investigativa e criativa, nada poderemos contra seu poder sedutor e simulador.

Néstor Garcia Canclini (1997), estudioso da Arte afirma ser impossível negar a importância que os meios de comunicação têm hoje na constituição da nossa cultura.

Abandonando o preconceito contra o tecnológico, contra o popular, o que se reveste de interesse comercial, a escola pode preparar os alunos para desenvolverem diante desse mundo mágico da imagem técnica uma postura mais interpretativa e consciente, mais crítica e segura em relação ao seu papel nessa sociedade espetacular. Levar em consideração, de se analisar e discutir as linguagens visuais e, dentre elas, as imagens divulgadas pela mídia, a escola estará preparada para a difícil e complexa tarefa de inserir seus alunos de forma consciente e crítica, no imaginário da cultura que os rodeia.

Trata-se de levar o cotidiano para a sala de aula, explorando a experiência dos estudantes e sua realidade. Uma verdadeira alfabetização visual que dará ao aluno condições de conhecer melhor a sociedade em que vive, interpretar a cultura de sua época e a de outros povos.

Afirma Hernández “O professor tem de despertar o olhar curioso, para o aluno desvendar, interrogar e produzir alternativas frente às representações do universo visual” (2002)

Na escola isso significa que o ensino de Arte ganha uma perspectiva mais profunda. De conhecedor de artistas e estilos, o aluno passa a ser leitor, intérprete e crítico de todas as imagens presentes em seu cotidiano.

Referências:

BARBOSA, Ana Mae. A imagem no ensino da arte: anos oitenta e novos tempos. São Paulo: Perspectiva; Porto Alegre. Fundação IOCHPE, 1991

EISNER, A.; OTT, R. W. Arte-educação: Leitura no subsolo. São Paulo: Cortez, 1998

HÉNANDEZ, Fernando. Cultura Visual, Mudança Educativa e Projeto de Trabalho. Artmed, 2002

CANCLINI, Nestor Garcia. Consumidores e cidadãos- Rio de Janeiro: Ed UFRJ, 1997.





Para um bom professor de Arte

não pode faltar...

> "o perfil de pesquisador, de artista, de crítico, de inventor, de provocador e de orientador". Elisabete Bianchi / Caxias do Sul - RS

> "o contato com a obra de arte seja como espectador ou como artista. O professor de Arte tem que estar inteiramente ligado à produção artística, porque é assim que ele, o professor, saberá sobre seu próprio contexto e situação cultural". Odacy de Oliveira Souza / Manaus - AM

> "pesquisa incansável na área de Artes e áreas afins, fundamento teórico, formação continuada, troca de experiências com colegas da área (algo que ocorria no grupo de estudo Arte na Escola da UNESC, no qual participei no ano de 2006), registro de sua prática e auto-avalição constante". Julmara Goulart Sefstrom / Crisciúma - SC

> "a formação continuada, a pesquisa constante, estar inserido nos movimentos da Arte (exposições artísticas locais, eventos culturais, bienais, discussões em fóruns, congressos e seminários), fazer uso de material didático adequado, ser um bom motivador para as questões da arte e da cultura, e conhecer a realidade da comunidade escolar onde ele se insere". Hilda Julio Vieira / Lages - SC

> "ferramentas em seu alforje - ânimo, entusiasmo e o planejamento - importantes para enfrentar os desafios e retirar as pedras do caminho. Doses generosas de criatividade, olhar atento, cuidadoso e sensível, para que a semente da arte comece a brotar". Laurinda Viana Soares do Nascimento / Vitória da Conquista - BA

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Doutora em Comunicação e Semiótica pela PUC (SP), Anamelia Bueno Buoro atuou como professora de arte durante 25 anos da Educação Infantil ao Ensino Médio. Na década de 90, tornou-se consultora em escolas de São Paulo. Desde 1999 trabalha para a TV Escola no programa Sala de professor - terceiro grau. Elaborou os Referenciais Educacionais para Educação Infantil na área de Artes Visuais e construiu o currículo educacional para o Ensino de Artes do Estado do Amapá. Em entrevista ao Boletim Arte na Escola, Anamelia fala sobre leitura de imagem, currículo em Arte, formação do professor, cultura visual e sobre a recém-lançada Coleção “Arte na Escola: o Leitor de Imagens”

Qual a importância do lançamento da Coleção?

O arte br foi um primeiro passo. Quando ele foi lançado, em 2003, havia

a necessidade tanto de fortalecer a questão do conhecimento sobre a arte

brasileira para o professor, como também trabalhar com a visão de leitura

da imagem que partisse da imagem. Se o primeiro foi dirigido ao professor,

essa nova Coleção, com as mesmas imagens, abre-se em outra direção. Ela

tem foco no Ensino Fundamental II, como um material paradidático, mas com

muita imagem dialogando o tempo todo com textos verbais, com contextos

culturais, históricos e intertextualidades. Ele se abre também para os adultos

que tenham interesse em conhecer a produção artística.

O que a arte ajuda no desenvolvimento do aluno na sala de aula?

O que me preocupa não é esta questão, mas construir um conhecimento sobre

a linguagem da arte, fazer com que o aluno se encante com as poéticas

dessa linguagem, com que seja um leitor da obra de arte, estabeleça relação

de satisfação com ela, de respeito pelo trabalho do artista, que saiba fazer

escolhas, tudo isso me preocupa muito mais do que como isso pode ajudar

nas outras disciplinas. Porque quanto mais ele sabe, quanto mais repertório ele

constrói, principalmente com as linguagens da arte que têm um componente

de estética, ele se torna um sujeito mais sensível. E com isso ele se constrói

para o mundo. Como professora de arte eu nunca tive a preocupação de que

meu aluno fosse bom em Matemática ou Língua Portuguesa. Acho que estou

investindo na construção de um sujeito e ampliando o seu conhecimento sobre

a arte e sobre o mundo.

Há como pontuar algumas habilidades que esse aluno pode construir?

Por exemplo, a habilidade de descrever amplia muito sua capacidade de ver, o

sujeito fica muito mais atento. O que eu percebo entre o tempo em que eu era

aluna na escola, o tempo em que meus filhos foram alunos e as assessorias

que dou em escolas hoje é que essa habilidade foi enfraquecida. As várias

metodologias de leitura da imagem sempre utilizam habilidade de descrever,

de analisar e de interpretar. Para ler uma imagem, você desenvolve também a

capacidade de estabelecer relação, porque os textos verbal e visual, embora

diferentes, conversam entre si. E ambos dialogam com o repertório do leitor e

nesse sentido, o sujeito trabalha com as relações.

Qual o papel do professor em relação ao aluno e esse saber?

Ele é o mediador da possibilidade de construção de conhecimento do aluno.

Não gosto muito de ouvir dos professores: “trabalhei uma coisa e meus alunos

adoraram”. O gostar, como aval do trabalho dele, embora seja uma coisa boa,

é pouco. Eu quero mais. Quero saber o que eles estão conseguindo aprender

de arte. Ainda que goste daquilo que faz, o professor precisa ser um indivíduo

com consciência do que ele tem que ensinar e como tem que ensinar.

Em relação ao currículo, sabemos que em algumas escolas a arte

ainda encontra-se naquele estágio marginal, de apoio em datas comemorativas, já outras têm orientações sobre o que deve ser ensinado.

O professor deve segui-las?

A questão curricular do ensino da arte está fortalecida novamente. O currículo

é uma maneira de organizar os saberes. Ele pode ser a organização de uma

ideologia da própria escola e pode ser a possibilidade de organização do trabalho de um professor. A questão curricular está aparecendo muito hoje em

dia como tema de estudo, debate e pesquisa. Mas ainda há poucos textos

teóricos refletindo sobre isso, como os do Fernando Hernandez. Acho também

importante o trabalho dos Parâmetros Curriculares Nacionais - PCNs que teve i

início na década de 90. Os PCNs não são algo fechado, mas sugestões curriculares dando corpo às possibilidades de trabalho que, na prática, podem envolver ações entre disciplinas, como Língua Portuguesa e Arte, ou Matemática e Arte e assim por diante, entendendo que Arte, assim constituída, refere-se às linguagens da arte: Artes Visuais, a Música, o Teatro e a Dança. Os conteúdos dos Temas Transversais também são favoráveis para o trabalho com projetos em arte. Tem muita escola que organiza seus projetos pedagógicos a partir dos PCNs, a partir daquilo que ela tem como valor para ensinar e aprender, e arte está incluída. Porém, há muitas escolas onde o ensino da arte não tem valor e serve para dar conta só das comemorações festivas.

A formação do professor de arte, até meados dos anos 80, era feita

em dois anos. Qual a implicação disso?

Quando a Lei de Diretrizes e Bases, no início da década de 70, propôs o ensino de arte na escola com o nome de Educação Artística, o professor precisava construir competência para trabalhar todas as linguagens da arte. Entendiase que ele deveria ser polivante. Então, todo mundo voltou para a faculdade, inclusive eu, para construir competência nas outras linguagens que não tínhamos formação. Essa nomenclatura foi traduzida por algo que gerou descompasso no ensino da arte, porque o professor de Música não conseguia

trabalhar com Artes Visuais, nem fazendo um curso de dois anos, tempo que

acho pouco. Na década de 80, houve um repensar sobre isso e tentou-se

organizar novos critérios de ensino que, no fundo, são semelhantes às bases

teóricas que estão nos PCNs.

E qual a situação hoje em dia?

Fui chamada para prestar assessoria a uma Fundação que tinha uma grande

escola em São Paulo e fui recebida pela orientadora com o seguinte argumento: “a senhora foi convidada porque os professores pediram a sua presença, mas pode ficar sossegada porque aqui nós já estamos totalmente organizados, já colocamos os PCNs em ação, estamos prontos para trabalhar com um ensino de arte super competente”. Quando fui ver como isso ocorria na prática, notei que eles interpretaram os parâmetros assim: em um mês davam

Dança, em outro Teatro, num outro, Música e num quarto mês, Artes Visuais.

Assim, depois de quatro meses, tinham outro mês de Dança e por aí vai, repetidamente. É como querer que um professor de Língua Portuguesa alfabetize

crianças em quatro aulas duas vezes ao ano. Você não consegue isso, não tem como construir um conhecimento mais sedimentado desta forma. Devagar fui mostrando que tínhamos que privilegiar algumas coisas. Fiquei oito anos assessorando esse grupo.

O que se verifica, então, é uma interpretação dos parâmetros?

Sim. Há muitas maneiras de se fazer um projeto de trabalho consistente a partir

dos PCNs, da mesma forma que podem gerar uma inconsistência sem que

se tenha consciência disso. Precisa haver debate, possibilidade de encontro.

O duro para o professor de arte é que ele normalmente tem apenas uma ou

duas aulas por semana. Além disso, o especialista, na maior parte das escolas,

só trabalha no ensino Fundamental II, o Fundamental I e a Educação Infantil

ficam nas mãos do professor generalista, sem formação em arte. Neste caso, o

“parâmetro” para o trabalho de arte é o que ele viveu na sua própria experiência.

Então, volta-se a uma escola que ensina técnica, que dá valor ao desenho

geométrico, porque é aquilo que o professor sabe fazer. Se você não discute,

acaba não apresentando a disciplina Arte como uma disciplina. Por outro lado,

as outras disciplinas têm muito mais espaço. Não estou querendo tomar o

espaço delas, mas dizendo que devemos ter consciência disso. Ou seja, qual a

nossa realidade de trabalho e dentro dessa realidade o que podemos fazer? O

que eu ensino da arte, como eu ensino e para quem eu ensino? Para isso eu

preciso também saber arte.

Qual o papel do professor diante de um aluno que desde pequeno

está imerso na cultura visual, no universo da TV, do game, da publicidade?

Ou o professor entra nessa nova realidade ou ele perde o barco da história. Ele

pode não saber, mas deve saber que o único responsável pela construção de

conhecimento dele é ele mesmo: que monte uma estratégia de trabalho em que aprenda com as crianças. Vou dar um exemplo pessoal. As crianças de terceira série, na década de 90, estavam profundamente interessadas no laboratório de informática. E minha aula de artes vinha justamente antes da aula de informática. Quando minha aula estava terminando, comecei a ter problemas porque as crianças faziam tudo correndo, pois não queriam perder sequer um minuto do tempo delas no computador. Então pensei: vou começar a dar aula usando o computador. E aí fiz uma proposta toda bonita, usando o computador. Fizemos mais de 150 desenhos animados, participamos do Festival do Minuto aqui em São Paulo. Eu sabia trabalhar com o computador? Não, mas aprendi com eles,fazendo uma reflexão em cima da realidade que me estava colocada.

Existiu uma percepção sua de entender qual a linguagem que eles

tinham familiaridade...

Sim, daí casou com a deles e fizeram um trabalho muito bom. Hoje, as crianças

têm domínio do computador. Penso que se você criar a possibilidade dela

enxergar a obra de arte e a arte como um valor da cultura, ela vai procurar

também no computador. A Tatiana Belinky (uma das mais importantes escritoras infanto-juvenis contemporâneas) diz que criança é curiosa, se você colocar livro na mesa ela vai folhear, se você colocar uma caixinha ela vai abrir, se você colocar um copo ela vai mexer. Então se você colocar imagens nesse computador ela vai descobrir por si só. As estratégias para se conseguir trabalhar com a construção de conhecimento estão nas mãos do professor. E ele tem de ser esse indivíduo que sabe ler o que está acontecendo para poder se apropriar.

Se ele não faz isso, continua dando aquela aulinha, que nada tem a ver com a

realidade das crianças. Precisamos estar dentro dos contextos.

Hoje o acesso a materiais para trabalhar a leitura de imagens parece

mais fácil. O mais difícil ainda é como usá-los?

Esse “como” é algo importante. Por exemplo, se você pegar uma metodologia

inteira de leitura de imagem trabalhando com as habilidades de descrever, analisar, interpretar, pode ser muito para crianças de seis anos, porque elas podem estar apenas interessadas em olhar. Às vezes é interessante trabalhar com uma habilidade só e depois variar as estratégias. Outro exemplo: tem gente que, frente a uma obra de arte num trabalho de leitura, fragmenta o texto visual de qualquer maneira, porta-se como se você pegasse um boi e levasse para um açougueiro e dissesse: “divide pra mim que quero levar para casa”. Então o açougueiro inexperiente pega o boi, divide em quatro partes e te entrega.

Mas você vai ter um trabalho imenso em casa para aproveitar essa carne, porque cortado só em quatro partes desfigurou a forma do arranjo das carnes do boi.

Um bom açougueiro tiraria o filé, dividindo em partes interessantes esse boi. A

obra de arte também não tem uma regra fechada para analisá-la em partes, se

você a divide sempre em quatro partes, você pode “matar” a obra. Cada obra

me diz como devo fragmentá-la, se necessário for. Deixe o teu olho navegar

pela imagem e vá descobrindo como fragmentá-la - se esse for o seu interesse

- e veja também quanta coisa você descobre nela. Quando o olho olha a

obra a cabeça pensa. Tudo que todo professor quer é fazer com que seu aluno

também seja seduzido por aquilo que o seduz. Mas para que isso aconteça,

ele precisa ser um bom estrategista, montar um currículo interessante, uma

estratégia metodológica. Tem gente que, dentro dos PCNs, privilegia a leitura

de imagens, outros a produção artística e tem ainda aqueles quem privilegiam

a história da arte. Eu tenho visto que os professores de arte do Ensino Médio

estão trabalhando muito mais com história da arte na linha do tempo - o que

é uma coisa ótima - do que os professores do Ensino Fundamental. O aluno

do Ensino Médio já tem uma dimensão de tempo diferente da criança. Essas

escolhas devem fazer parte da estrutura de pensamento do professor.

Qual a importância da Coleção “Arte na escola: o Leitor de imagens”

dentro do currículo?

A importância dentro de um currículo é fortalecer o trabalho com a leitura

da imagem e o desenvolvimento da visualidade. Desejamos que este material

chegue às mãos dos professores para que eles também se apropriem dessa

força da imagem. Temos consciência absoluta de que estamos fortalecendo a

compreensão da imagem como um texto que tem um dizer, uma poética no

seu dizer, uma maneira de colocar visões e pensamentos da realidade e sobre

a realidade a partir dessa linguagem. Acreditamos que se o professor conseguir dar conta do objeto arte, a disciplina Arte vai ser muito melhor respeitada dentro da escola.

Arte é linguagem, a imagem é texto visual e um texto visual comunica idéias

como diz aquilo que diz. É como disse o Picasso: “uma imagem me vem de

longe, pra vocês vale aquilo que coloquei ali”.

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Sites relacionados:


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